sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Amizade verdadeira

Explicando o post de ontem:
"Quer saber quem você é? Olhe para os olhos das pessoas à sua volta, que o amam. São as únicas pessoas que ousarão lhe dizer que você está com o nariz sujo de terra. Todos os outros no mundo vão deixá-los passar o dia todo com terra no nariz. A pessoa que o ama vai dizer: ‘Ei, você está com terra no nariz.’”
Leo Buscaglia
Sabe o que é pior? Quando os seus "amigos" não só deixam você passar o dia todo com terra no nariz, mas se divertem rindo disso nas suas costas.
"Depois, chegando no apartamento deles, sentamos os 4 e passamos a falar um mal da vida do outro. Eu chorava de tanto rir. Todos nos rolávamos de rir."
blog de uma suposta amiga minha
O "outro" na verdade eram os respectivos namorados e namoradas. Um dos cônjuges estava presente e foi poupado do fuzilamento. (e ela não é burra e sabe o quanto é fuzilada pela autora do blog quando não está presente) O que fazer quando você descobre uma coisa dessas? O fato é que eu não descobri, eu já sabia. Eles sempre fazem isso; não houve surpresa alguma.

Tenho certeza de que esse fato por si só já é um ferimento profundo, mas eu aprendi a conviver com isso. Gostava deles, mesmo sabendo que o gostar não era recíproco. Ao menos, não na mesma intensidade.

O que magoou bastante foi que essa terra da qual falavam é inexistente. Não eram verdades a meu respeito. Não que eles mintam de forma consciente, mas é que eles acreditam nessas mentiras. Por anos eles me convenceram de muitos desses equívocos e eu tentava limpar essa terra do nariz, mas eles diziam... diziam com mais ênfase nas minhas costas do que para mim ... diziam que a terra ainda estava lá. A terra que nunca sujou meu nariz a não ser na cabeça deles.

Só que eu não sabia disso e acreditava naquela terra. Era estranho, porque eu olhava no espelho e não a via. É como se eu tivesse acreditado a minha vida inteira que eu era morena e eles afirmassem que eu era loira. Então, eu reconheci novos amigos...
"A gente não faz amigos, reconhece-os."
Vinícios de Moraes
... e foi tão libertador!!!

"Como assim você é loira? De que terra no nariz você está falando?" Não falaram exatamente assim, é óbvio, mas foi como se tivessem dito. Eles me descreveram, eu olhei novamente no espelho e estava tudo lá. Exatamente como eu sempre enxerguei.

Alguns me disseram palavras como: "A terra da qual você fala está na sua testa! Não tem nada a ver com seu nariz!" E eu perdi tanto tempo tentando limpar a terra do meu nariz ao invés de me preocupar com o que realmente importa, com o que realmente está errado.

Como fiquei magoada!

Precisei de um tempo para me recompor. Olhar novamente no espelho foi difícil por que sempre me lembrava daquelas mentiras e isso me feria demais. E não foram só aqueles que se encontraram no apartamento para rir dos outros que me magoaram, havia mais gente em situação semelhante, também acreditando que eu era outra pessoa.

Então, comecei a ponderar: eles eram meus amigos ou amigos de uma Cristiane imaginária?
"Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure."
Vinícios de Moraes
Pois cada vez que os procurava, eu sempre saía machucada. Estava escrito em neon vermelho sobre suas cabeças: "Olá Cristiane imaginária! Essa que está na minha frente, eu não reconheço" E o neon piscava a cada sentença que pronunciavam.
"... eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.
Só por hoje não quero mais te ver.
Só por hoje não vou tomar minha dose de você.
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam.
E essa abstinência uma hora vai passar"
Pitty
Teve quem esperasse a abstinência passar enquanto outros se negaram a entender e nem tentaram. Quando um deles foi apresentado ao problema, eu esperava pelo menos um pensamento sincero de "será mesmo?" Mas a resposta foi cruel:
"conclusao simples de que vc tem mais a ver com eles do que comigo / o que nao eh novidade, diga-se de passagem / eu aconselhava, nesse caso, nem tentar desatar / usa logo a tesoura / poupa esforco"
conversa pelo msn
Eu achava que por toda verdadeira amizade valesse a pena lutar. Ele pensava diferente. E mais uma vez, quando ele mencionou a tesoura se referindo a um post meu, ele demonstrou que não entendia nada mesmo sobre mim. Fez uma analogia totalmente errônea: eu falava dos meus defeitos e ele achou que eu falava dos meus amigos. Será que meus "amigos" e defeitos estavam assim tão ligados que se confundiam?
"eu cheguei a pensar que eramos amigos
Cris Bispo diz:
tb"
Depois de uma resposta cruel como aquela eu realmente fiquei em dúvida: ele disse aquilo por que desiste fácil ou porque a amizade não era tão verdadeira assim? Não dava mais para continuar conversando. Eu sempre falei aos 4 ventos: "Sabe porque convivo bem com o Marcus? Por que a gente não discute de cabeça quente." Mas parece que meu amigo nunca prestou atenção nas minhas palavras. Eu já cheguei a falar sobre isso aqui no meu blog logo depois dessa conversa. Ele me mandou a merda e, de maneira mais educada, me mandou a merda novamente essa semana.

Fico feliz de ter reconstruído a amizade verdadeira, aquela que fez valer a pena toda a mágoa. Teve "amizade" que eu mesma mandei a merda, não esperei que me mandasse. E tem ainda aquela que estou reconstruindo.

Nem eu mesma sei por que escrevi tudo isso aqui. Espero que ao menos sirva de exemplo. Olhe ao seu redor:
* Você enxerga de fato os seus amigos?
* E gosta deles do jeito que são de verdade, sem ilusões, sem pintar o quadro que melhor lhe convém?
* Você procura entendê-los?
* Quando eles te magoam você busca descobrir e compreender as razões deles?
* Você sabe dar o espaço necessário e estar presente quando necessitam?
* Você sabe perdoá-los? De verdade? Engolir, digerir e deixar pra trás?

Acho que eu também não fazia tudo isso, mas já fazia alguma coisa. Como diz o título do meu blog: "Eterna Aprendiz".

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Eles dizem por mim, eu digo por eles