Já a nossa convicção é um pouco mais complicado. Por mais que busquemos ter a mente sempre aberta, há algumas verdades que criam raízes na nossa cabeça. Algumas estão lá porque nunca encontraram objeções, outras, por puro apego.
Acontece que, de vez em quando, nossas convicções são colocadas à prova. Foi o meu caso, recentemente. Todos os meus amigos - ou quase todos - sabem que desconfio da medicina ocidental. Sou contra não apenas à auto-medicação, mas à medicação como um todo. Não vou argumentar a favor do meu ponto de vista, mas apenas contar o que aconteceu sem entrar muito em detalhes.
Minha mãe estava passando por crises de ansiedade concomitante a picos de pressão alta. O cardiologista agiu corretamente: indicou um psicólogo (que ela já estava indo há pouco tempo) e aumentou temporariamente o remédio para controlar a pressão. Só que a minha mãe foi também à psiquiatra e aí as coisas começaram a dar errado.
A doutora passou um anti-depressivo. "Para quê?!" - me perguntei. Infelizmente não fui firme nas minhas convicções e deixei que minha mãe prosseguisse com esse tratamento. Foi o inferno! Passei dias colocando pressão na minha mãe para que ela suspendesse o medicamento e passei noites de insônia com medo de estar errada. Eu estava certa. Ela diminuiu a dose à metade e já sentiu uma boa melhora nos últimos dias. Acabou de me ligar dizendo que estava muito bem e que queria sair. Vou almoçar com ela, passear à tarde e dane-se tudo o mais.
Estou sentindo um enorme alívio por ter conseguido ajudar minha mãe. Tive muito medo de estar errada e estar causando-lhe algum mal, mas eu não estava. Parece que o Mundo saiu das minhas costas e só Deus sabe a paz que estou sentindo.
Após todo esse conflito interno e muito tempo de ponderação, percebi que as raízes dessa convicção em específico são muito profundas, tão profundas a ponto dessa convicção estar repleta de significado. Ela é parte de mim agora.
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