Então.
É, né.
Cada um é de um jeito... todos têm defeitos... somos adultos... maduros... É aceitar e seguir adiante, pelo bom convívio, pelo respeito à individualidade, sabendo que cada um evolui num ritmo diferente. É perceber que aquilo que incomoda está acontecendo de novo e de novo, e a cada vez a gente repete pra si mesmo: "Ai! Lá vem! Mas tudo bem, deixa pra lá. Isso não é tão importante assim. Não vou brigar por causa disso. Não vale a pena."
E o tempo passa.
E a gente fica esperando que um dia aquela pessoa aprenda, evolua, que a ficha caia. A gente espera que a porrada não seja muito forte, mas a gente sabe que uma hora a Vida vai bater de volta e a pessoa vai cair.
E vai cair feio.
A gente espera que a pessoa aprenda com o tombo, porque a gente se importa, e não quer vê-la sofrer mais do que o necessário.
Todo mundo apanha da Vida de vez em quando. Se continuamos a bater, continuamos a apanhar. Então, a gente para e tenta entender quais as leis da Vida não estamos respeitando. Tentamos entender a Vida, suas regras e sua dinâmica. Com sorte, apanhamos pouco até percebermos nossos erros, mas algumas pessoas apanham muito. Muito!
E o tempo passa.
Passa.
E aquela pessoa que te incomodava de vez em quando começa a apanhar da Vida. E começa a tentar se defender. E a gente observa, desconfia que algo está acontecendo... Chegamos até a suspeitar das porradas e esperamos a evolução, mas, ao invés de aprender, olhar para o espelho e tentar descobrir o que está fazendo de errado, a pessoa passa a socar, apunhalar, chutar, agredir... Você!!!
Sim. Claro que isso tudo está acontecendo comigo, apesar deu não ter usado a primeira pessoa no meu texto. Claro que o alvo das porradas, sou eu.
Não apenas eu, mas falo somente por mim. O que acontece com tudo aquilo que guardei? Tudo que me incomodou e deixei pra lá. Não ía adiantar falar, explicar, tentar consertar lá atrás. Era esperar a Vida mostrar o caminho, mas ao invés de tentar enxergar o caminho, a pessoa passa a me agredir. E tudo aquilo que ficou guardado? Tem como deixar guardado? Eu preferia ter deixado mofar numa gaveta da memória até ser levado pelo esquecimento. Eram poucas coisas, todas devidamente organizadas para sobrar bastante espaço na gaveta para outras tantas coisas desagradáveis. Mas a pessoa remexe a gaveta e trás tudo pra fora. Faz uma bagunça pela casa toda. Toca na ferida, remexe, cutuca até doer.
Dói.
Tem como organizar e colocar tudo de volta na gaveta?
Esse lixo não é meu! Eu recebi por delivery durante muito tempo, dia após dia. Juro que não estava incomodando ali, guardadinho na gaveta. Estava até dando mofo e o esquecimento já tinha até prometido levar embora. Mas e agora? A vontade que dá é mandar tudo de volta pra casa, devolver pro dono, colocar os pingos nos is e fazer uma faxina legal.
Só que o dono dessa bagunça toda diz que não é dele e que não aceita devolução. Pra mim, já deu.
Pois é. Em respeito a tantas outras pessoas que eu amo e que não merecem esse lixo todo na porta de casa preciso de um tempo para colocar tudo de volta na gaveta. Ai que trabalho desnecessário! Tem gente que faz parte da nossa vida, mas não acrescenta lá grande coisa.
3 comentários:
Entendo perfeitamente essa situação, Cris. E por justamente ter feito o mesmo que você fez e ter a mesma resposta, eu criei o hábito de expor o incômodo na hora, não guardo mais! Geralmente quem incomoda fica surpreso, pq é bem comum não enxergar o que fez, mas pelo menos as coisas ficam claras no momento, não há nada guardado em nenhuma gaveta!
Boa sorte na sua faxina!
Ana, eu também não tenho o hábito de guardar nada, mas, nesse caso, mesmo que eu falasse alguma coisa, não ia adiantar. Tentei conversar, mas a pessoa se esquivou de toda chance de diálogo. Se eu tivesse insistido, o conflito que estourou agora, já teria estourado antes. A diferença seria que essa pessoa teria argumentos para dizer que eu perdi minha razão, que eu falei, que fui grossa... A gente costuma atacar quando não tem argumentos e ela não tem nenhum. Em respeito a pessoas que eu amo, eu deixei o tempo passar. :(
E como eu disse no texto, as coisas lá, guardadinhas, o tempo ia levar. Eu já tinha até esquecido de um pá de coisas. Maturidade é também saber dar o peso certo para as coisas e as pequenas coisas que me incomodavam, só me incomodavam. Não me deixava com raiva nem nada. Se a gente for expor qualquer coisinha que nos incomoda, passaremos a vida reclamando do mundo. Maturidade é também focar nas coisas boas e seguir adiante.
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