Morte: "Queria saber como ela chegou a Nova York. Provavelmente, veio escondida num navio. E ela enjoa muito no mar. Coitadinha."São em diálogos como esse que eu compreendo toda a minha admiração pela personagem Morte; ela nunca fica brava com ninguém porque ela compreende todos. Eu também gostaria de não ficar brava com ninguém e de compreender todos, mas - puxa! - ela é A Morte, né?!
Sexton: "Acha que vou ficar com pena de uma velha que quase arrancou meu nariz?"
Morte: "Quando se conhece alguém muito bem, é difícil ficar brava com ela por muito tempo."
Então eu lembro daqueles que me magoaram e, mesmo sem compreendê-los, fico pensando que deve haver um bom motivo para eles terem feito o que fizeram. Mesmo que eu não faça idéia do motivo. E concluo que eu não deveria estar brava com eles.
Só que eu acho que "o motivo" é o gatilho que torna o não-brava possível. Sem "o motivo", eu preciso do "perdão" para conseguir o não-brava. É tipo uma rota alternativa, só que muito mais complicada.
Então, eu vejo as... e ouço falar... e percebo que tudo isso é impossível.
Me lembrei agora do texto de Martha Medeiros: "A Voz do Silêncio".
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