sexta-feira, 4 de julho de 2008

Julgar é inevitável, mas a condenação é opcional


Nossa mente funciona à base de observações, análises e julgamentos. Acredito que julgar seja inevitável, mas sabemos que nossa capacidade de julgamento é muito limitada. Para vencermos esses limites, precisamos nos munir do máximo de informação possível e, mesmo assim, nunca saberemos tudo e, portanto, temos que ser cautelosos na hora de condenar alguém.

Depois que a condenação é expressa - e, com isso, ofendemos e magoamos - alegar desconhecer os fatos não justifica nada. Para isso existe a conversa, a busca por um entendimento, o direito de resposta. É aquele lance que falei em um outro post:
"Quando se conhece alguém muito bem, é difícil ficar brava com ela por muito tempo." (Morte, de Neil Gaiman)
Quando eu estou magoada, primeiro eu abrando o espírito - essa primeira fase, às vezes é rápida, outras vezes é bem demorada - depois eu procuro compreender os motivos que levaram aquela pessoa a agir de uma determinada maneira. Ela tem seus motivos. Todos têm. O diálogo é fundamental nessa hora, só que, infelizmente, nem sempre possível.

Quando a condenação é crua e não há o diálogo em busca do entendimento, resta-me apenas ficar imaginando os motivos, com a convicção (que brota não sei de onde) de que esses motivos existem. Essa convicção brota, pois prefiro acreditar na verdade da Morte de Neil Gaiman, assim, a dor é menor.

Já não é a primeira vez que isso acontece comigo e duvido que seja a última.


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Eles dizem por mim, eu digo por eles